A Hannya 般若

Hannya é talvez uma das personagens mais reconhecíveis do teatro japonês, especialmente do teatro Nô, em parte devido à máscara espetacular que a representa, com seus chifres afiados, aparência desumana e agressiva, boca cheia de dentes e presas cobertas de ouro. A máscara é usada no palco para dar vida a personagens femininas: mulheres elegantes e belas que, traídas por seus amantes e movidas pela obsessão e pelo ciúme, são transformadas em serpentes demoníacas.
As máscaras Nô têm sua origem no final do período Muromachi
(1392-1573), quando atores começaram a usar máscaras de madeira para retratar as personalidades dos personagens. Em 1647, o xogum Tokugawa Iemitsu proibiu a introdução de variações na interpretação do Nô, e personagens, máscaras e até mesmo as próprias peças foram claramente estabelecidas em forma canônica.

Esta máscara imponente e de aparência formidável se parece muito com um demônio à primeira vista, no entanto, suas origens e história reais são muito mais profundas. Para entender completamente a máscara Hannya, precisamos voltar ao século XIV. A máscara Hannya apareceu pela primeira vez em uma variedade bem conhecida de teatro musical tradicional japonês chamado “Teatro Noh”, que se tornou popular na época. Os atores em peças Noh contavam histórias por meio de gestos delicados enquanto adornados com máscaras e trajes densos e vibrantes.

Diversas peças contavam com a presença de um personagem que em dado momento se transformava em uma criatura demoníaca, daí surge a icônica máscara hannya.

A máscara Hannya era usada em peças Noh para representar uma mulher que ficou tão tomada pelo ciúme, inveja ou raiva que foi possuída e assumiu a forma de um demônio. Suas características proeminentes incorporam duas expressões faciais à máscara. A parte superior da Hannya é a expressão de sofrimento e tristeza, e a parte inferior é a expressão de raiva. Uma boca maliciosa, olhos metálicos sombrios, dentes afiados semelhantes a presas e dois chifres de demônio.

Por Shige, um dos trabalhos mais icônicos de hannya, masterpiece.

Uma das peças mais populares com a máscara Hannya no teatro Noh conta a história do Príncipe Genji, que é casado com Lady Aoi, mas tem uma amante chamada Lady Rokujo. Quando a esposa do príncipe Genji fica grávida, ele ignora Lady Rokujo. Lady Rojuko fica tomada de ciúme e raiva violenta após perder os afetos de seu amante e se transforma em um demônio que possui a esposa, levando à morte dela.

A própria máscara representa a raiva e a dor. Ela é demoníaca, raivosa, assustadora e perigosa, ao mesmo tempo que é atormentada, desolada, melancólica e triste. Dependendo do ângulo em que a máscara está sendo observada, a expressão pode parecer zangada ou triste. No geral, a ideia por trás da máscara Hannya é representar as emoções intensas que podem vir à tona quando uma pessoa calma e sábia é traída ou desprezada.

A origem do nome Hannya

Agora que sabemos sobre as raizes da máscara hannya e seu uso no teatro, podemos nos aprofundar em um assunto que não tem uma resposta exata, mas é muito interessante, seu nome. A palavra Hannya, não tem uma tradução, seria um “nome próprio”,os kanjis que compõem a palavra em japonês 般若 (Hannya) nada tem a ver com máscara, demônio ou sentimentos, são puramente fonéticos, os ideogramas juntos formam o som “Han-nya” mas não transmitem nenhuma ideia.

Por Johan Svan da Suécia

A explicação pode estar atribuída ao Shintoismo e um monge artesão. Existe um sutra muito importante O Hannya Shingyo (Coração do Sutra da Sabedoria) que é parte do Maha Prajña Paramita Sutra (Grande Sutra da Sabedoria), que por sua vez é um dos mais longos sutras budistas.
Vamos conhece-lo abaixo.

HANNYA SHINGYO CORAÇÃO DO SUTRA DA SABEDORIA

O Bodhisattva Avalokitesvara praticava profundamente o Prajna Paramitta (a sabedoria) e viu claramente o vazio de todos os cinco agregados, e assim libertou-se de todos os sofrimentos.

“Ó Shariputra, forma não se diferencia de vazio, vazio não se diferencia de forma. Forma é exatamente vazio, vazio é exatamente forma. O mesmo é para sentidos, percepção, impulsos e consciência.

Ó Shariputra, todos os dharmas são marcados pelo vazio, não aparecem e nem desaparecem, não são impuros e nem puros, sem perdas e nem ganhos.

Portanto no vazio não há formas, nem sensações, percepções, impulsos e consciência; não há olhos, ouvidos, nariz, língua, corpo e mente; não há cor, som, cheiro, sabor, tato, objeto do pensamento; sem o mundo da visão, sem o mundo da consciência, sem ignorância e o fim da ignorância; sem velhice, sem morte

e sem o fim da velhice e da morte;

sem sofrimento, sem causa do sofrimento, sem a sua extinção e sem objetivo; sem conhecimento e sem ganhos; sem nada obter o Bodhisattva em paz praticava o Prajna Paramitta.

Sem obstáculos na mente; sem obstáculos o medo desaparece. Para além do pensamento em ilusão, este é o nirvana. Todos os Budas do passado, presente e futuro vivem o Prajna Paramitta. Portanto obtém a completa e perfeita Iluminação. Portanto conheçam o Prajna Paramita, o grande mantra da transcendência, o grande mantra da iluminação, o mantra sem limites, o supremo mantra, podendo remover todo o sofrimento, este é a verdade, sem falsidades. Então recitem o mantra Prajna Paramita, recitem o mantra que diz: vá, vá, vá além, vá além do além, Prajna Paramita.” Fim do sutra.

O Hannya Shingyo (Coração do Sutra da Sabedoria) contém a essência ou “coração” do Grande Sutra da Sabedoria. Este Hannya Shingyo é um dos mais curtos de todos os sutras, mas ele trata do ensinamento mais básico no budismo, o vazio dos fenômenos impermanentes.

Hannya com pergaminho do Coração do sutra da sabedoria, em sua boca.

Originalmente escrito em sânscrito a palavra Prajña (sabedoria) foi adaptada quando chegou no Japão e se tornou Hannya. E este foi o nome dado a um monge artesão que era chamado Hannya-bo. Este monge devoto e muito talentoso entalhava as mais belas máscaras para serem usadas no teatro Noh, e começou a se destacar especificamente nas mascaradas para personagens demoníacas , suas criações eram muito impactantes, jamais vistas antes e transmitiam as emoções de uma forma intrigante , hora intensas hora suaves, hora raivosas hora tristes, o tipo de nuance que qualquer mestre da atuação busca para intensificar sua performance. Com o passar do tempo, aprimorando-as ainda mais, suas máscaras fizeram tanto sucesso em meio às companhias de teatro, que todos queriam as máscaras demoníacas criadas por Hannya-bo, assim com uma pequena abreviação elas foram popularmente batizadas máscara “Hannya”, com o nome de seu criador.

descrição do Século 18

Na imagem acima, temos um desenho feito por Toriyama Sekien, artista conhecido por ilustrar yokais e criaturas aterrorizantes no século 18. Junto da imagem temos um texto da época comentando um pouco sobre a criatura, à titulo de curiosidade eu decidi traduzir para termos uma maior imersão:

“Hannya é o nome de um sutra, sendo uma embarcação compassiva que atravessa o mar do sofrimento.
No entanto, o fato de que a máscara de um espírito vingativo feminino adormecido (que se tornou um demônio) seja chamada de ‘máscara Hannya’ se deve ao canto do Nô Aoi no Ue, no qual, quando o praticante recita sutras para apaziguar o espírito rancoroso de Rokujō (filha de alguém nobre),
ele é interrompido por um grito aterrador: ‘Ah, que voz horrível de Hannya!’.
A partir disso, talvez, passou-se a chamar assim (a máscara).”

A Hannya e a serpente

Você já deve ter se reparado com tatuagens de Hannya na qual elas estão frequentemente acompanhadas por serpentes, envolvidas na máscara ou simplesmente enrolada ao seu arredor, sendo assim, uma das iconografias mais clássicas da tatuagem japonesa.

Existem duas histórias que podem contextualizar essa relação entre a Hannya e a Serpente. Boa parte dos japoneses moravam em áreas de plantio de arroz, em áreas com arrozais, e em certos momentos quando o homem da casa precisava sair e deixar sua mulher e filhos sozinhos, eles vestiam máscaras hannya para assustar possíveis invasores ou ladrões, dessa forma a máscara realmente funcionava como um objeto de proteção.

Já nos arrozais, eles perceberam que era importante manter as serpentes por perto ao invés de matá-las, elas afastavam roedores e animais que poderiam destruir ou comer a colheita. Então concluíram que as serpentes eram guardiões de seu maior bem. Ambas hannya e serpente protegiam os japoneses agricultores.

Essa composição também pode ter origem na lenda de Kiyohime, onde uma jovem mulher tomada por um sentimento terrível se transforma em uma serpente e ataca seu amado, com fogo e ódio. A descrição exata de papéis com a máscara Hannya no teatro noh. Essa lenda tão famosa já foi até teorizada como possível origem da máscara demoníaca, e por meio dessa ligação também conquistou seu espaço na tatuagem, e é comum ver pessoas portando tatuagens da lenda. Vamos conhecer sobre essa lenda tão relevante para o tema.


Anchin e Kiyohime: A Lenda

Mukashi Mukashi aru tokoro ni… Era uma vez, há muitos, muitos anos, um jovem monge chamado Anchin. Todos os anos, o dedicado estudioso fazia uma peregrinação nos Caminhos de Kumano. Certa ocasião, quando se dirigia a um dos templos, começou a escurecer, precavido, procurou abrigo onde pudesse passar a noite. O religioso encontrou uma aldeia chamada Hidaka e bateu à porta de uma de suas habitações. Foi atendido pelo senhorio Kiyotsugu, que era então, o administrador da aldeia. Lá, o monge teve uma recepção calorosa, e foi convidado a pernoitar na simples, mas confortável residência. O anfitrião Kiyotsugu tinha uma bela filha adolescente chamada Kiyohime.Anchin elogiou a beleza da garota e disse, gracejando, que um dia viria buscá-la para se casarem. A ingênua Kiyohime acreditou no monge. Na manhã seguinte, Anchin seguiu seu caminho em peregrinação.

No entanto, na casa de seu pai, Kiyohime esperou pacientemente pelo retorno de seu prometido noivo. O tempo passou. As estações mudaram, e os crisântemos no jardim de flores desapareceram novamente. Porém, Anchin não retornou.Três anos se passaram e Anchin novamente estava fazendo a peregrinação pelos Caminhos de Kumano. Por coincidência, quando passava próximo da aldeia, o tempo fechou e começou a escurecer. Lembrando que já conhecia o administrador local, foi novamente lhe pedir hospedagem.

O monge já nem se lembrava da jovem Kiyohime, mas, ao vê-la na casa do administrador, a lembrança de seu gracejo com a menina voltou à sua mente. Ao mesmo tempo, o religioso ficou surpreso ao constatar que ela havia se transformado em uma bela mulher.Contudo, o jovem procurou não se distrair com tais pensamentos. Na verdade, o coração de Anchin ansiava pela calma do templo ao som dos sinos da noite e o canto suave dos sutras. Mas a noite caía rapidamente e ele estava cansado. Então, Anchin retirou-se para o quarto ofertado pelo hospitaleiro senhorio.

Anchin já havia pegado no sono quando foi despertado pela presença de Kiyohime ao lado de seu leito. Ela se atirou em seus braços dizendo emocionada: – Meu amado noivo! Agradeço por ter vindo me buscar! Esperei tanto por esse momento que durante três longos anos fiquei contando os dias à sua espera.

O monge não protestou… Foi uma noite de volúpia.

Ao despertar na manhã seguinte, Anchin, caiu em si. Como bonzo (Sacerdote budista), estava proibido de se casar. Mas não teve coragem de contar a verdade para a inocente Kiyohime. Prometeu a ela que iria até o templo em Kumano e na volta passaria em sua casa para assumir seu compromisso matrimonial.Na tarde deste dia, Anchin chegou ao templo. Como estava com a cabeça nas nuvens, Osho-san, o monge superior, logo percebeu que, por ser ainda muito jovem, poderia estar pensando em alguma mulher. Por isso, aconselhou-o que meditasse bastante antes de fazer alguma bobagem.

Ouvindo os conselhos de seu mestre, Anchin meditou muito e finalmente disse para si mesmo: – Eu sou um bonzo. Não posso desejar ter Kiyohime. A partir de agora, regressarei por outro caminho para não correr o risco de nos reencontrarmos. E assim o fez.Enquanto isso, Kiyohime preocupada, se perguntava: – Por que Anchin não volta do templo? Poderá ter acontecido algo ruim? Com tais preocupações, ela decidiu ir ao seu encontro. No caminho, perguntou para um peregrino que passava por ali se não havia visto Anchin, e fez a descrição de seu tipo físico. – Sim, eu o vi no templo, mas ele tomou outro caminho para retornar a sua cidade.

– Não posso crer. Ele havia prometido que viria ao meu encontro – disse Kiyohime surpresa e quase chorando.

Ela então correu muito para alcançar Anchin e chegou a vê-lo na travessia do Rio Hidaka.

– Anchin me espere! Anchin me espere! – ela gritou com toda a força de seus pulmões.

Ao vê-la, Anchin disse: – Remador, rápido, zarpe o bote.

Kiyohime surpreendeu-se e ficou sem entender porque ele estava fugindo. A principio, ficou muito triste, desesperada. Mas, enquanto a situação se esclarecia em sua mente, a jovem foi tomada por um sentimento crescente de amargor, até ficar cega de raiva, seu amor transformou-se em ódio…

– O rato entrou no rio e desapareceu. Somente uma serpente aquática pode acabar com um rato da água.

Kiyohime estava tão furiosa, que mergulhou no rio para tentar atravessá-lo a nado. Pessoas que estavam na beira do rio ficaram pasmas com o gesto impensado da bela menina. Naquele rio, a correnteza era tanta que era impossível atravessá-lo nadando. Testemunhas contaram mais tarde que a moça atravessou o rio nadando e, quando surgiu na outra margem, havia se transformado em uma enorme serpente.Dizem que o desejo de sua mente moldou seu corpo, transfigurando-a numa serpente-dragão aquática semelhante a uma “Nure Onna“. A jovem, transformada pela ira, mergulhou no rio e foi nadando atrás do bote onde se encontrava o fugitivo monge.

Anchin desembarcou do bote e refugiou-se no Templo Dodoji. – Socorro! Socorro esconda-me, por favor! Os monges do templo, mesmo sem saber do que se tratava, abaixaram um enorme e pesado sino, ocultando Anchin em seu interior.A serpente subiu a escadaria e encontrou o pesado sino. Dentro de suas grossas paredes, Anchin rezava desesperadamente. Enfurecida, ela se enrolou no grande sino, jorrando chamas de sua enorme boca como um dragão-serpente.

Kiyohime feita por Horiyoshi II, Tokyo.

O sino começou a esquentar, esquentar, até que o metal avermelhou completamente e deformou-se, derretendo um dos lados, matando Anchin em seu interior.Os monges de Dodoji fizeram o enterro do jovem Anchin. Após a tragédia, encomendaram a fundição de um novo sino e determinaram que nenhuma mulher pudesse se aproximar novamente de sua plataforma.O tempo passou, e o novo sino chegou ao Templo Dodoji. Foi preparada uma grande festa para sua instalação no templo com a participação da comunidade local, porém a cerimônia de entronização estava proibida para mulheres. Entretanto, durante o evento, uma encantadora jovem finamente vestida aproximou-se, se atirando sobre o sino. Para espanto de todos reunidos, a menina desapareceu sem deixar vestígios, como se engolida pelo gongo.A partir desse acontecimento, o sino ao ser tocado não soava como os outros sinos dos templos, mas gemia como uma voz terrível. E cada vez que era tocado, desastres aconteciam. Até finalmente, por não mais suportarem, o sino foi levado para baixo, e enterrado.

Ele permaneceu enterrado durante 200 anos, até que Toyotomi Hideyoshi ordenou que fosse escavado e de lá levado para o santuário Myomanji, local onde as cinzas de “Sakyamuni Buddha” foram consagradas pelo Imperador Asoka. Dizem, que o som da “Sutra de Lótus” incessantemente entoada pelos monges do templo, finalmente trouxe o descanso para as almas atormentadas de Kiyohime e Anchin.

Com o tempo, o som do sino adquiriu uma beleza irresistível, tingida com a sabedoria e consciência de “dukkha” (o sofrimento necessário à mudança).Ainda hoje, o sino permanece como um memorável tesouro em Myomanji, junto às cinzas sagradas de Sakyamuni.Conta-se, que muito tempo depois, Anchin e Kiyohime apareceram abraçados e felizes em muitos sonhos dos monges do Templo Dodoji. O casal, finalmente teria encontrado seu destino nos caminhos da Sutra de Lótus.”

hashihime

Existem dezenas de estilos para desenhar ou tatuar uma Hannya, mas há um em particular muito interessante. Às vezes, uma Hannya é feita de forma que a testa fique brilhante e mais clara que o resto do rosto, com gotas de suor escorrendo dela. Diz-se que isso representa o momento preciso em que uma determinada mulher se transforma em demônio por ciúmes ou a angústia; Essa máscara com a testa esbranquiçada e os traços de Hannya corresponde a outra personagem do folclore japonês, Hashihime (橋姫), que surgiu de uma lenda anterior à de Kiyohime e apareceu pela primeira vez em um poema do Kokinshu (古今集).

Hashihime é uma esposa que passa décadas esperando seu amado em uma ponte, apenas para descobrir mais tarde que ele a havia traído. Em um estado de raiva, ela faz uma peregrinação ao santuário de Kifune, a cuja divindade ela passa dias rezando a seguinte oração: “Dê-me os poderes do oni enquanto eu estiver viva; faça de mim um ser feroz e monstruoso; deixe-me carregar a chama do ciúme, que arde tão poderosamente em mim; deixe-me matar.”

“Hashihime” de “Konjaku Gazu Zoku Hyakki ” de 
Toriyama Sekien。


A divindade milagrosa concede seu desejo em troca da realização de um ritual de vinte e uma noites no rio Kawase, em Uji. A mulher obedece e, em uma curva tranquila do rio, prepara-se para o ritual. Ela amarra cinco mechas de cabelo em forma de chifres, pinta todo o corpo de vermelho para parecer um oni e coloca na cabeça uma coroa de metal com três argolas, na qual deposita três velas. Ela coloca outras duas velas na boca (daí a aparência esbranquiçada da testa da máscara, resultado do brilho da luz das velas). Ela então desce o rio vestida dessa maneira, com a coroa de metal apoiada nas sobrancelhas (o que também explica as leves marcas acinzentadas que aparecem na testa de muitos Hannya; na verdade, são Hashihime, e essas marcas são da coroa). Todos que a viram pereceram de terror. Finalmente, após vinte e uma noites consecutivas realizando esse ritual, o desejo da mulher enfurecida é realizado e ela se torna uma oni, permitindo-lhe vingar-se do marido infiel. Diz-se que Hashihime também marca as casas daqueles que cometeram algum tipo de infidelidade e prega nas portas um pedaço de grama do rio, amarrada no formato de um homem. Também é tradição que recém-casados ​​não cruzem a ponte de Uji, onde Hashihime vive, para previnir que o ódio e inveja dessa criatura não arruíne o casamento.

Hannya segundo a descrição da lenda da Hashihime feita por Yushi Oyabun de San Diego, CA.

O bastão Uchizue 打杖

Pintura por Yutaro Warriorism.

Você já se reparou com um desenho ou tatuagem de Hannya na qual ela está acompanhada de uma espécie de “bastão” e se perguntou o que é isso?

Esse “bastão” é chamado 打杖 “Uchizue” é um apetrecho usado na atuação durante as peças de teatro Noh, ele representa uma varinha, ou bengala sobrenatural usada para canalizar os poderes do demônio para conjurar feitiços e maldições em seus inimigos.

Cenicamente falando ele serve como uma arma, sendo a contra parte do leque, que é carregado como uma espécie de arma branca por outros personagens em cena. O Uchizue tem essa conotação de objeto de ataque, de forma que torna mais agressiva a atuação uma vez que o ator aponta e balança o objeto com movimentos rápidos.

Cena do teatro Noh, ator interpretando um demonio usando seu uchizue para enfeitiçar outra personagem.

Interpretações finais

O significado básico por trás da máscara Hannya está aberto a muitas interpretações pessoais, está é provavelmente uma das razões pelas quais a máscara Hannya tem sido uma escolha tão popular para tatuagens de estilo japonês ao longo dos anos, mas depois de conhecer um pouco mais podemos chegar em algumas conclusões.

Embora a história geral e a aparência da máscara possam parecer sombrias, a palavra Hannya em sua essência, deriva da palavra em sânscrito ”Prajna” e significa “sabedoria” e algumas pessoas usam a tatuagem nesse sentido; uma busca contínua por sabedoria.

A máscara de Hannya também é usada como um amuleto que te protege contra o mal, cobiça e inveja, irônico não? Ela afasta justamente o que ela representa, por ter esses sentimentos tão concentrados, ela os repele. Ao concentrar energias ruins em si mesma, ela evita que cheguem até você, e de ”quebra” ainda assusta aqueles que nao gostam de você.

Os vários significados por trás das máscaras Hannya podem assumir uma variedade de formas quando retratados em uma tatuagem. Cores intensas podem ser usadas para enfatizar emoções específicas que você deseja destacar, ou tons de preto e cinza podem ser escolhidos para representar os sentimentos de melancolia que também estão presentes. Escolher o posicionamento e o ângulo da máscara em sua tatuagem também determinará a emoção geral que é exibida, da mesma forma que segurar as máscaras originais em ângulos diferentes muda drasticamente a expressão. Então o segredo é refletir bem sobre a tatuagem e definir com o tatuador as características que serão abordadas na sua tatuagem.

fim


como fazer um orçamento?

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