Fudo Myo-o

A adoração a Fudo Myo-o no Japão tem uma história rica e uma presença significativa na cultura religiosa do país. A devoção a esta deidade budista foi introduzida no Japão quando Kukai, um influente monge budista japonês, trouxe o Budismo Esotérico da Dinastia Tang da China, por volta de 806 DC. Inicialmente, a adoração a Fudo Myo-o era mais proeminente entre a nobreza e as elites religiosas, mas gradualmente se espalhou por todo o Japão.
 Foram introduzidos no Japão no século IX. Os Myô-ô eram originariamente Divindades hindus que foram adotados no Budismo Esotérico para vencer os desejos que cegam a humanidade. Eles servem e protegem vários Budas, especialmente Dainichi Nyorai. Na maioria das tradições, são consideradas emanações de Dainichi Nyorai e representam a ira de Dainichi contra o mau e ignorância.

Com o tempo, a veneração a Fudo Myo-o tornou-se profundamente enraizada entre os cidadãos comuns do Japão, transcendendo barreiras de sexo, posição social e crença. A deidade é frequentemente procurada por sua capacidade de proteger os devotos contra as adversidades da vida e destruir os obstáculos espirituais que impedem o progresso na jornada religiosa.

A presença de templos dedicados a Fudo Myo-o em todo o Japão testemunha a extensão da devoção popular à deidade. Estes templos muitas vezes exibem imagens impressionantes de Fudo Myo-o, representado com sua expressão feroz e outros atributos simbólicos, atraindo fiéis de todas as partes do país.

Além disso, festivais e cerimônias em honra a Fudo Myo-o são realizados em diversas épocas do ano, proporcionando aos devotos a oportunidade de expressar sua devoção e receber as bênçãos do deus protetor.

A adoração a Fudo Myo-o no Japão também está associada a práticas rituais específicas, como recitação de mantras, queimando incenso e oferecendo orações. Esses rituais são realizados como uma forma de buscar a proteção de Fudo Myo-o e a remoção de obstáculos no caminho espiritual.

Em resumo, a adoração a Fudo Myo-o no Japão é um testemunho da profunda conexão espiritual do povo japonês com essa deidade budista. Sua popularidade transcendeu as fronteiras da classe social e continua a desempenhar um papel significativo na vida espiritual e cultural do país.

Fudō Myō-ō é a divindade central em todos os grupos Myō-ō , e nas obras de arte está posicionada no centro das composições. Ele também é um das divindades que aparecem como guardiões de determinados anos no ciclo do Zodíaco chinês, posicionando-se à Oeste, é o protetor daqueles nascidos no ano do Galo,

Simbolo do Fudo-Myoo, conhecido como Bonji, sua leitura é ”Kaan”.
INÍCIO FIMELEMENTO
26/01/193313/02/1934Galo de Água
13/02/194501/02/1946Galo de Madeira
31/01/195717/02/1958Galo de Fogo
17/02/196905/02/1970Galo de Terra
05/02/198124/01/1982Galo de Metal
23/01/199309/02/1994Galo de Água
09/02/200528/01/2006Galo de Madeira
28/01/201715/02/2018Galo de Fogo
Tabela para identificação do ano referente ao signo do Galo

Fudō é uma personificação de Dainichi Nyorai , e o mais conhecido dos Myō-ō , que são venerados especialmente pela seita Shingon do Budismo Esotérico Japonês (Mikkyō 密教). Fudō converte a raiva em salvação; tem um rosto furioso e gritante, Fudō procura assustar as pessoas para que aceitem os ensinamentos do Buda Dainichi ; carrega uma corda em sua mão esquerda (para capturar e amarrar demônios); e em sua mão direita “kurikara-ken” sua espada subjugadora de demônios e retalhadora de ilusões (representando a sabedoria que corta a ignorância). 

Quase sempre na tatuagem das costas ele é representado sentado sobre um trono rústico de pedra pois é “imóvel” em sua fé, como uma rocha, ou montanha. Sendo essa pedra, parte fundamental da composição da tatuagem, normalmente posicionada na região dos glúteos.

Coatas feita no Shimada Irons, São Paulo.

 Além disso, uma das primeiras características a serem notadas em sua expressão são os seus olhos assimétricos, o olho aberto de Fudo Myo-o simboliza a percepção penetrante da realidade, a sabedoria transcendental que vê além das ilusões do mundo material. Ele representa a capacidade de discernir a verdade e compreender a natureza verdadeira das coisas.
Por outro lado, o olho fechado de Fudo Myo-o simboliza a ideia de não apegar-se às aparências superficiais e ilusórias. Ele representa a capacidade de olhar para dentro, concentrando-se na mente interior e na verdade espiritual que transcende as formas externas. O olho fechado pode indicar uma visão mais interna e profunda, que vai além da realidade observável.

A combinação do olho aberto e do olho fechado em Fudo Myo-o representa a harmonia entre a visão penetrante da realidade e a capacidade de transcender as ilusões do mundo material. Essa dualidade simboliza a compreensão completa da verdade, tanto no nível externo quanto interno.

pintura de 狩野芳崖 Kanō Hōgai, 1928-1888

Fudo-myoo é representado também em seu papel de servidor, evidenciado pelo estilo de seu cabelo, que é amarrado como o de um serviçal: em sete nós que descem pelo lado esquerdo da cabeça. Ele apresenta dois dentes proeminentes, um na arcada superior e outro na inferior. O dente superior aponta para baixo, simbolizando sua compaixão ilimitada por todos aqueles que sofrem, tanto fisicamente quanto espiritualmente. Já o dente inferior aponta para cima, representando sua determinação em progredir e prosperar em seu serviço à Verdade. A expressão facial feroz no olhar de Fudo Myo-o, combinada com as presas afiadas que saltam de sua boca, visa inspirar um profundo respeito e temor, lembrando os praticantes da importância de enfrentar suas próprias fraquezas e impurezas.

 A aura divina de Fudō é tipicamente as chamas do fogo, que de acordo com a tradição budista, representam a purificação da mente através da queima de todos os desejos materiais. O poder de Fudo é tão grande que de sua aura flamejante ascendem pássaros sagrados, conhecidos como fênix, mas no Japão chamadas Ho-ou

No conjunto, as características faciais de Fudo Myo-o são uma representação visual poderosa que destaca a transmissão de ensinamentos, a capacidade de superar obstáculos e a coragem necessária para enfrentar as adversidades. Essa feroz aparência também simboliza a prontidão de Fudo Myo-o em proteger os devotos e manter a ordem espiritual, refletindo destemor diante das forças negativas, esses elementos visuais são projetados para inspirar devoção, respeito e uma abordagem implacável em relação à busca espiritual.

Hachidai Dōji 八大童子

Literalmente “Oito Grandes Jovens” (use o navegador para traduzir o link) . São Oito atendentes ou ”servos divinos” de Fudou Myouou . Os oito atendentes de Fudou (Fudou Hachidai Douji 不動八大童子) são descritos no HACHIDAI DOUJI HIYOU HOUBON 八大童子秘要法品, seus nomes são:

  1. Ekou Douji 慧光童子
  2. Eki Douji 慧喜童子
  3. Anokudatsu/Anokuta Douji 阿耨達童子
  4. Shitoku Douji 指徳童子
  5. Ukubaga Douji 烏倶婆か童子
  6. Shoujou Biku 清浄比丘
  7. Kongara douji 矜羯羅童子
  8. Seitaka douji 制た迦童子

  Nas representações artísticas, Fudou é geralmente mostrado sozinho ou flanqueado por Kongara e Seitaka, a Tríade Fudou (fudou sanzon 不動三尊). Os dois jovens atendentes frequentemente representados são o covarde e obediente Kongara Doji(pele clara) à direita, e o perverso e desobediente Seitaka Doji(pele vermelha) à esquerda, ambos os quais, às vezes são considerados manifestações de Fudo.

Fudo convertendo um descrente ao caminho da iluminação.

A Origem do Seu Nome

Fudo Myo-o é conhecido como Acalanãtha em sânscrito. Acala significa imóvel, e Nãtha significa protetor, governante ou divindade padroeira. Acala também é o nome de Shiva, um deus hindu, levando alguns a sugerirem que Acalanãtha deriva de Shiva. Existem várias teorias sobre a origem do nome Fudo Myo-o. Há vários nomes pelos quais Fudo Myo-o é chamado, sendo alguns deles, Fudoson e Mudoson dois dos mais comuns.

Costas pelo Grande Mestre Tamotsu Kuronuma, Horiyoshi ll de Tóquio.

Myō” significa sabedoria (Sânscrito Sk. Vidyã), mas no Budismo Esotérico, refere-se a um feitiço chamado Shingon (Sk Mantra) e Darani (Sk Dhãrani). ”O” significa chefe ou líder; assim, Myo-O é considerado o líder das divindades que realizam shingon.

Fudo Myo-o é um dos ‘Oito Grandes Myo-o’ e também um dos ‘Cinco Grandes Myo-o’ sendo o mais venerado dentre todos eles.

Quando cinco Myo-o se unem, seu poder aumenta exponencialmente. Os Cinco Grandes Myo-o compreendem Fudo Myo-o no centro, Gozanze Myo-o no leste, Gundari Myo-o no sul, Daiitoku Myo-o no oeste e Kongõyasha Myo-o no norte.

É mais comum, encontrar artigos religiosos sobre os cinco myo-o, mas existe a variação onde o numero total chega a oito grandes Myo-o. Uma teoria define os Oito Grandes Myo-o como uma combinação dos Cinco Grandes Myo-o e mais três Myo-o, que podem incluir as seguintes divindades ao grupo: Munosho Myo-o, Bato Myo-o e Ususama Myo-0.

Vajra ou Kangosho

O Kongosho é um objeto ritualístico no Budismo Esotérico, ele é indestrutível, pode destruir diamantes como se fossem cubos de açucar. Em sua língua original, o sânscrito, ele é chamado ”Vajra”. Embora existam três tipos de kongösho, o ”Sankosho”, com três garras em cada ponta, é o mais conhecido e frequentemente chamado de ”Kongosho”.

O Vajra é o simbolo do Vajrayana(caminho do veiculo de diamante) do Budismo. A língua sânscrita, da qual origina o Budismo, define o vajra como ”maciço” ou ”o poderoso” , já na língua Tibetana, é chamado ”Dorje”, que se refere ao ”lorde das pedras”, em ambas as línguas fica clara a intenção de o comparar à dureza e o brilho do diamante. assim sendo, podemos dizer que é um símbolo do impenetrável, imóvel e indestrutível estado da mente iluminada.

Diversas divindades Budistas aparecem segurando um Vajra/kongosho em pinturas ou esculturas. As divindades pacíficas usam um Vajra/Kongosho como um cetro, simbolo de seu status celestial, enquanto divindades furiosas os manuseiam como uma arma, no caso de Fudo-Myou a própria empunhadura de sua espada ”Kurikara-ken” é um vajra, sendo a garra central da parte superior, a lâmina em si. Abaixo uma composição criada pelo mestre kuronuma segundo, baseada em uma ilustração do Hokusai, esse trabalho influencia até os hoje os tatuadores japoneses, a proporção e cores são estudadas e revisitadas até os dias de hoje, se tornou um verdadeiro clássico, é dito que nessa composição o Fudo-Myoo assume a forma do Dragão, ou até mesmo da espada.

Costas pelo Grande Mestre Tamotsu Kuronuma, Horiyoshi ll de Tóquio.

Também sob a posse de um Vajra podemos citar o próprio Seitaka, o servo raivoso, que não satisfeito com a arma divina ainda usa um bastao rústico de madeira na outra mão.

Segundo o Rig-Veda, o texto religioso mais antigo da Índia, o deus Indra usou seu vajra para criar iluminação e derrotar seus inimigos.

Segundo a lenda, Indra usou o raio contra o monstro que obstruía as águas. O monstro foi chamado de Vritra, que significa “nuvem de tempestade” e “inimigo”. A batalha durou um ano inteiro e só terminou depois que Indra atingiu o raio entre os ombros de seu inimigo, a parte de trás de seu coração.
 As águas que antes estavam presas em uma caverna foram liberadas e deixadas fluir. Essa conquista foi tão crucial que Indra não tinha mais nenhum outro inimigo para lutar: ao reverter o poder da nuvem de tempestade, através dos raios, contra si mesma, ele obteve uma vitória eterna e perfeita.

Sankosho , Vajra

Katsumasho (Sk Karmavajra)

Sankoshos em forma de cruz simbolizam a conclusão da salvação das pessoas. Estátuas budistas carregam esses símbolos para representar a realização de sua missão de salvar as pessoas.

O vajra duplo, conhecido em sânscrito como vishva-vajra e em tibetano como dorje gyadram, é composto por quatro cabeças de vajra dispostas sobre lótus, irradiando do centro em direção às quatro direções cardeais, simbolizando o princípio da estabilidade absoluta.

pausa no artigo para comentar a foto abaixo O trabalho abaixo contem um Vajra Duplo (katsumasho) que faz parte do fechamento dos braços do Fernando que contém uma serie de simbolismos nesse tema religioso, seja budista, hinduísta, e até podemos dizer shintoista; esse Braço em questão, tem como Motivo (shudai) principal o Shiva, que como vimos ao decorrer desse artigo, pode ser a Origem de Fudo-Myoo por conta de seus nomes terem uma origem entrelaçada. Sem duvidas é um dos meus melhores trabalhos e pretendo futuramente escrever um artigo abordando todos os temas que compõem os braços do Fernando.

Peito com Katsumasho feito por Gabriel Cordeiro.

Na descrição cosmográfica do Monte Meru, o vajra cruzado abraça e sustenta todo o universo físico. Da mesma forma, na representação da mandala, um amplo vajra cruzado atua como uma base imutável para o palácio da mandala. O centro do vajra é de cor azul escuro, enquanto as quatro cabeças são coloridas, representando as direções: branco (Leste), amarelo (Sul), vermelho (Oeste) e verde (Norte). Essas tonalidades também correspondem aos cinco elementos e aos budas das cinco famílias, com Akshobhya azul no centro.

O vajra cruzado é também um emblema do Buda verde do norte, Amoghasiddhi, simbolizando sua sabedoria totalmente realizada como líder da família de atividades do carma.

O trono elevado em que os mestres se assentam durante os ensinamentos é tradicionalmente adornado na frente com um quadrado suspenso de brocado que exibe a imagem de um vajra cruzado no centro, frequentemente acompanhado por quatro pequenas suásticas nos cantos. Este emblema representa a base inabalável da iluminação do Buda.

Katsumasho

Mantra de Fudo Myoo


Nômaku sanmanda bazaradan senda makaroshada sowataya un tarata kanman. (japonês)

Namah samanta-vajrânâm canda mahârosana sphotaya hûm trat hâm mâm
 (sânscrito)

Homenagem ao Vajra que penetra a tudo! O Violento de grande ira! Destrua! hûm trat hâm mâm (português)

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