Os oni são as minhas criaturas favoritas do folclore japonês, eles não são Yokais, são Ogros, tem sua própria categoria dentro dos tipos de monstros que existem. Eles convivem junto com os humanos no mundo, na maior parte do tempo ficam nas montanhas, onde vivem floresta a dentro. Em sua essência, são criaturas selvagens que apresentam características de maldade, mas, são conscientes, espertos, talvez não cultos, mas certamente alguns deles são retratados sendo inteligentes como os humanos. Eles são carnívoros e sem dúvidas gostam de comer seres humanos, e são muito mais fortes que os homens, por isso histórias que envolvem a conquista sobre um deles tem um tom heroico, pois o desafio é grande e as bestas são selvagens.
Agora falando sobre as tatuagens de Oni, elas são excepcionais, eles tem características distintas que os definem, mas em linhas gerais são as criaturas nas quais temos muita liberdade de criação, uma vez que podem ter diversas expressões, proporções faciais, quantidades de chifres, olhos e dentes, cores, estilo de vestimenta e armas que portam. É um prato cheio para explorar a temática japonesa, e isso que estou me referindo apenas a criatura por si só, pois quando pensamos na relação das outras criaturas com o Oni vemos que ele é um ”coringa” pois pode ser usado com praticamente qualquer outra personagem.
Apenas com relação as flores que nos deparamos com um pequeno problema, os Oni, não gostam delas, inclusive seu perfume é usado para os espantar e mantê-los longe, então ao seguir o raciocínio só poderíamos tatua-los com folhas, por exemplo a de momiji, mas, é comum vermos tatuagens onde os oni estão cercados de flores, hum…Pequenas contradições que enfrentamos ao tentar levar ao pé da letra as famosas ”regras” da tatuagem japonesa.
Criaturas fantasticas que tem a estética mais carismatica dentre todas, eles tem caracteristicas visuais de hannya, de dragão, de tigre, de yokais, quase tudo! Pra mim, sao a expressão maxima da estética da tatuagem japonesa!
Para simplificar o significado da tatuagem de Oni (pra você preguiçoso!) é um simbolo de ”contra cultura”, uma pessoa que por algum motivo decidiu viver a vida da sua maneira, e não tem medo de chocar, ou por vezes se isolar da sociedade, como um verdadeiro Ogro. As analogias são muitas, os Oni podem ser abstrações para loucos, pessoas maldosas, psicopatas, pessoas doentes. Mas cabe a nós decidir o significado que a tatuagem tem. Muitos dos meus clientes tatuam Oni para representar os antagonismos da vida, os desafios inesperados, de uma forma que ao olhar a tatuagem diariamente você se sente preparado para enfrenta-los quando a hora chegar.
Bom, muito pode ser dito, mas prefiro deixar o resto para quando formos conversar pessoalmente. Agora fique com esse compilado de estudos que fiz ao longo da minha carreira.
ogro
Figura onipresente no folclore, na espiritualidade e na cultura popular japonesa, o oni pode ser traduzido para o português como “demônio”, “diabo” ou “ogro”, particularmente prefiro a palavra Ogro. Encontrados em documentos escritos desde o século VIII, os oni aparecem em uma infinidade de contos e lendas tradicionais e, mais recentemente, em mangás, animes e filmes. Historicamente, houve uma ampla variedade de representações de oni, mas, na cultura japonesa atual, eles são frequentemente imaginados como seres masculinos grandes, poderosos, intimidadores e selvagens, com rostos vermelhos, azuis, pretos ou amarelos, mãos com garras, presas proeminentes e afiadas. Costumam ter chifres saindo da cabeça, carregam uma clava de ferro e vestem uma tanga (fundoshi) feita de pele de tigre. Ainda que muitos desses detalhes possam variar, os chifres — sejam um único ou múltiplos — permanecem como a característica mais emblemática da criatura no imaginário moderno.

A imagem mais recorrente dos oni também os retrata com musculatura gigantesca e pelos espessos e embaraçados. Geralmente apresentam pele vermelha, embora alguns possam ter tonalidades azuladas, rosadas ou acinzentadas, de verdade? Eles podem ter qualquer cor. Tipicamente possuem três dedos nas mãos, e nos pés podem ter dois ou três, e às vezes são representados com três olhos. Suas bocas podem se abrir até as orelhas e são preenchidas por dentes pontiagudos. Apesar de serem capazes de voar, raramente o fazem. Empunham uma enorme clava de ferro chamada kanabō como arma principal. São conhecidos como torturadores hábeis e têm o costume de devorar seres humanos.

Embora haja algumas exceções, o oni é geralmente retratado como uma entidade sobrenatural hostil que ameaça os humanos; é uma antítese da humanidade, incorporando tudo o que põe em risco as pessoas e a sociedade. Como resume um estudioso, “O oni é uma presença que exclui a natureza humana ”. Existem também muitos exemplos de oni bem-humorados, tolos, inofensivos e até generosos, mas estas são as exceções que confirmam a regra, pois a premissa subentendida é que as intenções do oni tendem a ser malévolas; eles são “construídos como antissociais e antimorais”.

As origens dos oni são extremamente antigas e, portanto, envoltas em obscuridade. Originalmente, o termo on referia-se a todos aqueles que desobedeciam à autoridade imperial: rebeldes, bárbaros ou estrangeiros, percebidos como fundamentalmente malignos. Posteriormente, passou a se aplicar a deidades transmissoras de doenças e a animais devoradores de crianças. Com a introdução do budismo no Japão, os oni também passaram a exercer funções no submundo, vigiando os portões do inferno para impedir fugas e aplicando torturas. Eles eram responsáveis por arrastar as almas daqueles que haviam vendido seus espíritos, transportando-as em vigas que arrastavam junto ao corpo. Curiosamente, o primeiro oni mencionado em registros japoneses é uma mulher: Yomotsu-shikome, a “Mulher Horrenda do Submundo”, que aparece no mito da criação presente no Kojiki (712).
A palavra “oni” surge nos primeiros textos japoneses conhecidos, incluindo o Kojiki, o Nihon Shoki e vários fudoki (registros geográficos locais). Apesar da pronúncia “oni” parecer ser de origem japonesa, o kanji associado a ela nos primeiros registros é inconsistente e só foi padronizado no período Heian. Durante essa época, também surgiu a leitura alternativa “ki” em palavras compostas.

As representações visuais dos primeiros oni (ou de figuras que posteriormente seriam associadas a eles) aparecem em imagens budistas do inferno, como nos Jigoku zōshi (Rolos do Inferno) do final do século XII. À medida que a iconografia se desenvolveu, provavelmente também foi influenciada por imagens iniciais de Raijin, o deus do trovão, como aquelas do Kitano Tenjin Engi Emaki do século XIII. Desde então, a representação do oni como uma criatura feroz e demoníaca com chifres se manteve surpreendentemente consistente. A caracterização do oni como uma “presença amedrontadora” também permanece desde as primeiras menções escritas. Influências sobre a figura do oni variaram e incluem elementos chineses, nativos japoneses, budistas e do onmyōdō (cosmologia esotérica tradicional japonesa que combina elementos de ciência natural e ocultismo).
Historicamente, o oni foi muitas vezes confundido com yōkai em geral — servindo como um termo genérico para monstros aterradores ou desconhecidos. Por exemplo, na expressão medieval Hyakki Yagyō (“Desfile Noturno dos Cem Demônios”), o kanji para oni (pronunciado “ki”) aparece, mas os “demônios” descritos são variados em forma e função. Com o tempo, o oni evoluiu para uma figura mais específica, um tipo distinto de yōkai caracterizado por traços que se repetem: semblante aterrorizante, corpo musculoso, torso nu, temperamento hostil, associação com trovões e o hábito de devorar humanos. Como mencionado, seus chifres remetem à direção nordeste (ushi-tora, ou “boi-tigre”), associada ao kimon, o “portão dos oni” por onde a má sorte entrava em comunidades.

As imagem do oni parecem ter surgido como uma resposta simbólica a medos difusos e ameaças invisíveis. Uma teoria é que “oni” originalmente significava “epidemia”, fazendo do corpo monstruoso do oni a manifestação física de doenças invisíveis mas devastadoras. Também se interpreta os oni como representações de alteridade e do perigo associado ao que é “outro”. Semi-humanos, mas ameaçadores à civilização humana, oni poderiam refletir o medo de minorias históricas, como os praticantes de shugendō, considerados marginais por viverem nas montanhas e praticarem rituais enigmáticos. Do mesmo modo, oni podem ter sido associados a comunidades de ferreiros e mineradores, tidos como detentores de poderes sobrenaturais relacionados à metalurgia e proteção durante partos.

Assim, como metáforas culturais anti-hegemônicas, os oni, embora geralmente vistos como destrutivos, também podem encarnar papéis positivos e criativos como rebeldes ou representantes dos marginalizados. Essa ambivalência aparece na lenda de Shuten Dōji, a mais famosa história de oni. Diversas versões existem, mas o texto mais antigo é o chamado Ōeyama Ekotoba (início do século XIV), onde Shuten Dōji, o protagonista demoníaco, vive no Monte Ōe, nos arredores da capital Heian (atual Kyoto).
A narrativa não especifica o período, mas alusões a figuras históricas sugerem que a história se passa entre o final do século X e o início do XI. A capital é assolada por demônios que sequestram jovens mulheres, incluindo a filha de um funcionário importante do governo. Consultas oraculares revelam que os culpados residem no Monte Ōe. O imperador ordena que o famoso guerreiro Minamoto no Yorimitsu (Raikō) e seus subordinados(dentre estes, Kintaro) exterminem os oni.
Raikō e seus homens rezam a divindades budistas e, disfarçados de monges ascetas, partem em direção à montanha. No caminho, encontram três anciãos que revelam que Shuten Dōji é extremamente apaixonado por saquê; eles entregam aos guerreiros uma bebida mágica, nociva apenas para Onis. Na verdade, os anciãos são manifestações dos deuses que ouviram suas preces. Após receberem instruções para encontrar o covil, os deuses desaparecem.
Viajando rio acima, os guerreiros conhecem uma jovem que lhes fornece detalhes adicionais: Shuten Dōji possui pele vermelha-clara, é alto, de cabelos curtos e desgrenhados. De dia, aparenta ser humano, mas à noite transforma-se em um monstro de seis metros de altura, sempre embriagado. No palácio de ferro onde habitam Shuten Dōji e seu exército demoníaco, os guerreiros, através de astúcia e sorte, são convidados a participar de um banquete e fazem os oni consumirem o saquê envenenado. Bêbados e inconscientes, os oni são surpreendidos.

Shuten Dōji, mesmo desacordado, cresce até o dobro do tamanho: seus chifres rompem o couro cabeludo, a barba desgrenhada e as sobrancelhas espessas tornam sua aparência aterradora. Com ajuda dos deuses, Raikō decapita Shuten Dōji, cuja cabeça, mesmo separada do corpo, continua atacando, Raiko luta até o fim, Shuten Douji cospe fogo e tenta mordê-lo , mas yorimitsu se esquiva e consegue desferir um golpe mortal. Na batalha final, todos os outros oni são derrotados e explorando o palácio, os guerreiros encontram um cenário macabro de esqueletos, carne humana preservada e jovens ainda vivas.

Raikō leva as jovens de volta à capital, onde é celebrado como herói. Ainda que Shuten Dōji e seus seguidores sejam retratados como cruéis, podem ser vistos sob uma perspectiva empática: foram hospitaleiros, demonstraram bravura, e foram traídos por astúcia humana. Antes de morrer, Shuten Dōji acusa os “sacerdotes” de mentira, declarando: “Não há falsidade nas palavras dos demônios.”
Enquanto a história de Shuten Dōji é um clássico literário, muitas lendas sobre oni são transmitidas oralmente. Em uma história da Prefeitura de Yamanashi, uma mãe pobre abandona seus três filhos na floresta. As crianças se abrigam em uma cabana, onde a velha residente os avisa que pertence a um oni. O oni retorna, mas a velha esconde as crianças. Sentindo o cheiro de carne, o oni busca os meninos calçando suas botas mágicas, que o faz atravessar grandes distâncias a cada passo. Sem sucesso, decide descansar. A velha instrui as crianças a fugirem pela porta dos fundos. No caminho, encontram o oni adormecido. O caçula rouba suas botas mágicas e o irmão mais velho, calçando-as, foge carregando os irmãos, escapando do perigo.
O conto é bem-humorado e mostra um oni assustador, porém atrapalhado, como muitos “tontos” do folclore mundial.

Momotaro subjulgando um Oni com a ajuda de seus amigos animais.
Utagawa Kuniyoshi, 1855 (12th month)
Já no famoso conto de Momotarō, um menino nascido de um pêssego derrota os oni da Ilha dos Demônios (Onigashima), com a ajuda de um cachorro, um faisão e um macaco, alimentados com bolinhos de milho (kibi-dango). Eles conquistam a ilha, fazem os oni prometerem nunca mais serem maus e trazem riquezas de volta. Essa narrativa de triunfo do mais fraco sobre o mal foi usada até como propaganda nacionalista durante o período colonial japonês e a Segunda Guerra Mundial, com Onigashima representando lugares como o Havaí em filmes de 1942.

Entre as tradições japonesas ligadas aos oni destaca-se o Setsubun, celebrado na véspera de uma nova estação, especialmente em 3 de fevereiro, no início do antigo Ano Novo. Durante o Setsubun, o chefe da casa joga feijões torrados pelos cômodos para purificar o lar e afugentar os oni, pois se acredita que os feijões podem cegá-los temporariamente. É mais uma demonstração do papel cultural dos oni como símbolos do mal que precisa ser afastado para que a vida humana floresça em paz.

Esta cena ukiyo-e é uma obra do início do período Heian que retrata o nobre Fujiwara no Tadahira e um Oni. Fujiwara no Tadahira serviu como assessor próximo do Imperador Uda e foi uma figura tão notável que, após sua morte, recebeu o título póstumo de Lorde Teishinko (um nome dado com base na reputação de uma pessoa durante sua vida) da família imperial.
Este yokai ukiyo-e é baseado em uma anedota escrita no conto histórico ” Okagami “. Quando Fujiwara Tadahira estava no Palácio Imperial e alguém agarrou a bainha de sua espada , ele se virou e viu um demônio peludo e com garras longas. Quando o demônio estava prestes a atacar, Fujiwara no Tadahira sacou sua espada e ameaçou o demônio. Surpreendentemente, assim ele o expulsou.
Fujiwara no Tadahira era habilidoso em política, mas nesta gravura yokai ukiyo-e ele é retratado como um homem corajoso que não tinha medo de demônios.
abaixo alguns designs de oni, por gabriel cordeiro.
como fazer seu orçamento?
Agora que você leu um pouco mais sobre essa criatura tão fantástica espero que tenha esclarecido melhor as suas ideias e ambições para a sua tattoo. Será um prazer receber você em nosso estúdio, para conversar e tirar qualquer duvida que ainda lhe reste a respeito desse tema ou diversos outros.
Penso que o atendimento presencial é insubstituível nas etapas iniciais da criação da sua tatuagem, e é essencial para entendermos o seu gosto e suas exigências.
Na maioria das vezes não é possível apresentar um orçamento exato total para a conclusão da sua obra, devido as diversas variáveis que fazem parte do processo. Mas usando nossa experiência conseguimos lhe oferecer uma estimativa bem solida quanto ao valor a ser gasto no projeto.
Adorariamos marcar um horário para conversar melhor a respeito de tudo isso, você pode entrar em contato por meio do WhatsApp (11)97194-1071 (link abaixo seguro) ou email: inkcordeiro@outlook.com










